sexta-feira, 2 de agosto de 2013

GOLDEN GUITAR # 1


Olá pessoal hoje temos mais uma raridade da década de 60 do século passado, uma revista que foi um reflexo de uma época, em que os editores de visão aproveitaram  a onda de um movimento que estava em alta.
Para compreendermos bem o que foi este movimento, passamos a palavra a Antônio Luiz Ribeiro que contará a história do:

GOLDEN GUITAR
Em 1967 o pessoal da jovem Guarda estava em alta. Era o tempo de expressões do tipo “É uma brasa, mora?”, “Essa garota é “papo-firme”, “Morou ou boiou?”, dos BeatlesRoberto Carlos, da série de TV ModSquad e outros “bichos”. Tudo meio ingênuo e muito datado hoje, mas na época era um “barato”. Para aproveitar a “onda” da Jovem Guarda e para substituir a série Archie (aquela turma de adolescentes que desde os anos 60 faz muito sucesso nos EUA),  que tinha dificuldades de importar dos Estados Unidos, a editora paulistana Graúna, formada por uma equipe do “Jornal da Tarde”, resolveu lançar um super-herói que encarnasse aquele espírito dos simpáticos teenagers.
Golden Guitar era um herói mascarado de uniforme no estilo mod-londrino. Não possuía superpoderes, mas em compensação tinha como arma uma guitarra dourada cheia de truques, que atirava “mil trecos” (servia como metralhadora, arpão, zarabatana...), e um “carrão” de alta tecnologia "Abarth" - estilo Astor Martin do 007 - "que podia fazer com facilidade 260 km/h”.Uau!!!
A turma da Graúna era liderada por Ulisses Alves de Sousa  e pelo diretor de arte Rivaldo Macedo (o autor do personagem Zé Latinha). Este último é apontado como o criador do herói junto a A. Torres.
Os roteiros do Golden Guitar, criados em equipe, narravam as aventuras do cantor de iê, iê, iê Renato Fortuna (calcado claramente em Roberto Carlos) que, auxiliado por seu mordomo Oliver, se transformava em super-herói para combater o mal. GG tinha como inimigos “figuras” como Cabeleira – o Barra Suja (um careca usando peruca, na edição nº 1), O Violinista (na nº 2), um vilão que tocava o instrumento favorito dos “coroas” e Hydra. Na Identidade de Renato, nosso herói era acompanhado por sua banda – Os Taiobas – formada por Bolha, Beto e o balofo Bolão (eles tiveram uma HQ solo, na edicao nº 2) e por sua “mina”, Verinha. Mas, o único que conhecia o segredo de Golden Guitar/Renato mesmo era o fiel mordomo Oliver. Essa deliciosa e verdadeira cápsula do tempo era desenhada pela dupla Apa (José Aparecido da Silva, que fazia os desenhos a lápis) e Rubens Cordeiro(responsável pela arte-final).
A exceção foi o quarto e último número, que teve arte exclusiva de Cordeiro e roteiro solo do cartunista Luscar. As revistas tinham  32 páginas preto e branco e capas coloridas. Nas últimas capas, cada revista trazia uma linda ilustração de um calhambeque, produzida por Omar Grassetti.
Além da revista de linha, teve também um almanaque onde o herói é chamado de “Capitão Guitarra” e o “Superalmanaque Três heróis” – uma publicação de encalhe que reuniu em um único volume as revistas-sobras do personagem, mais dois outros super-herois da época, Homem-Fera e Mistyko .Golden Guitar é um dos primeiros super-heróis brasucas totalmente originais, e não um mero plágio dos heróis americanos, como era praxe naqueles anos 60! Uma verdadeira "brasa", mora?

Crédito deste scan: Lancellot e blog HQ Point.

Agora que vocês já estão sabendo tudo sobre o Golden Guitar, é só clicar na hiperligação e curtir este herói, que é: “Papo firme!!!


3 comentários:

  1. O Archie fez primeira aparição em Pep Comics # 22 de 22 dezembro de 1941.

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  2. Olá amigo ReKern,
    Grato pela informação, que vem enriquecer os nossos seguidores.
    Gato pelo comentário.
    Sabino

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  3. Foi um tempo muitcho Loco, pois eu amei por breve período essa breguice da jovem guarda e adorava mais as músicas brazucas do caraco. Foi portar-mor de uma geração alienada ou politizada, sei lá...
    E essa revista, em particular, foi um lance na minha infância desvalida e sem sentido, e foi ler essa revista que mudei a visão tupiniquim da muzika brazyleira e gostei de tudo: rock, Pop e o escambau. Descambei para uma visão politeísta da música e Johnny Guitar abriu os olhos para outra realidade musical - apesar da visão meio cafona das roupas e o barato da guitarra elétrica! Fui!

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